domingo, 23 de junho de 2013

UM POUCO DA HISTÓRIA TERENA E NÃO À REINTEGRAÇÃO DE POSSE


Durante a Guerra do Paraguai o povo Terena teve uma participação muito importante na defesa do território que sempre ocuparam, lutando contra o exército paraguaio, e abastecendo todo o exército brasileiro com alimentos e informações. Visto que, conhecedores da região, sempre levavam vantagens em cima do exército inimigo e como grande agricultores que são, alimentos nunca faltavam. Mas, tudo isso não foi o suficiente para garantir um de seus bens mais preciosos: A TERRA.
Após a Guerra do Paraguai em 1870, os Terena passam a lutar outra guerra, a batalha pela sua sobrevivência, já que vários foram dizimados, outros doentes e, além disso, perderam a posse dos antigos territórios que tradicionalmente ocupavam, para os fazendeiros, que se apossaram dessas terras e construíram suas grandes fazendas. Na atualidade, o povo Terena da TIN Taunay / Ipegue, luta constantemente para obter a posse dos antigos territórios que tradicionalmente ocupavam antes da Guerra, na região do então sul de Mato Grosso, mais precisamente entre os municípios de Aquidauana e Miranda.
Constata – se que depois da Guerra do Paraguai vários aldeamentos foram invadidos por fazendeiros, entre elas, a Aldeia Terena Naxe Daxe. E quando, os indígenas, moradores antigos dessas localidades e verdadeiros donos desses aldeamentos voltaram para seus lares, viram suas casas ocupadas por fazendas e foram obrigadas a procurar outras aldeias. Com isso, várias fazendas aumentaram suas divisas, invadindo cada vez mais as terras indígenas e incentivando outros proprietários a fazer o mesmo. Por isso, várias terras deixaram de ser indígenas para se tornarem propriedades particulares.
Desse modo, vimos o quanto de informações é escondida do livro didático e o quanto o Governo Estadual e Brasileiro se mantém omisso a nossa reivindicação. O governo estadual só coloca na mídia que o povo de Mato Grosso do Sul vai sofrer com a garantia dos nossos direitos, que a produção vai cair, que os alimentos vão faltar, que tudo deve ser contra os indígenas. Governo, sociedade, venham ver essas fazendas onde reivindicamos os nossos 33.900 mil hectares, só existem pastos e mais pastos. O gado que aqui se cria é para exportação e não para o consumo interno, se fosse para o consumo interno, a carne não seria tão cara, não teria um preço tão absurdo em um estado que se diz pecuarista. E outra, Governo, FAMASUL, sociedade Brasileira, nós também somos cidadãos, pagamos impostos, tudo o que temos foi pago, trabalhamos muito, apesar da terra ser pequena e pouca, conseguimos fazer das tripas o nosso coração. Temos direito de buscar o nosso direito, de adquirir respeito e de ser ouvido, assim como, os pecuaristas, basta um telefonema e a Presidenta já os recebem. E enquanto, nós indígenas, já há vários anos tentamos essa audiência, mas até hoje, não conseguimos.

A decisão que temos é unânime, permaneceremos na nossa terra, daqui não saíremos.  E quando disserem que a lei deve ser cumprida, tem que ser mesmo, basta garantir primeiro o que está previsto na constituição de 1988, que determina cinco anos para as demarcações. Cumpram essa da constituição, primeiro, para o mundo, para a sociedade, ver que o Brasil respeita suas Leis.

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