sexta-feira, 17 de maio de 2019

Carta de IPEGUE - Conselho do Povo TERENA

Carta de Ipegue: documento final da 13º Assembleia Terena
“ [...] antigamente, quando puxarará falava, tínhamos que ficar quietinhos, pois quem retruca o trovão? Mas hoje não! Puxarará falou, nós respondemos a altura, seja no Congresso Nacional, no Judiciário e na instância do Executivo”.
O Conselho do Povo Terena, organização tradicional base da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), reunido na aldeia Ipegue, por ocasião da 13º Hanaiti Hó`únevo Têrenoe, entre os dias 08 a 11 de maio de 2019, juntamente com representantes dos povos Guarani Kaiowá, Kadiwéu, Kinikinau, Guató, Guajajara, Xukuru, Kaigang e Xakriabá, vem expressar o compromisso de luta pelo bem viver da humanidade e oferecer a sociedade envolvente a oportunidade de construirmos juntos, um mundo baseado no respeito aos modos de vida de cada um e à Mãe Terra. Nos últimos anos, nós lideranças indígenas temos feito o enfrentamento necessário para defender as nossas vidas e o direito de viver em nossos territórios tradicionais, de acordo com nossas cosmovisões e modo próprio de ver e entender o mundo.
Chegamos a nossa 13º Assembleia Terena, até aqui foi um caminho difícil, trilhado em torno da luta pela terra. Muitas lideranças que estavam na largada inicial não estão mais, muitos foram perseguidos pelo processo de criminalização instrumentalizado pelas vias estatais, outros, tombaram na luta, derramando seu sangue na terra sagrada e outros tantos, foram cooptados pelo governo. Passamos pelo governo dito de esquerda, que se entregou ao capital; resistimos ao governo golpista, que rifou nossos direitos ao agronegócio; e agora estamos prontos, para fazer a resistência qualificada, ante ao governo de extrema direita de Bolsonaro, anti-indígena, racista e autoritário.
Desde o primeiro dia deste ano, nós povos indígenas temos sofrido intensos retrocessos no que tange aos nossos direitos, mas também, desde o primeiro momento estamos resistindo, no campo ou na cidade, portanto, a retomada dos nossos direitos usurpados é medida que se impõe. Os povos indígenas têm muito a ensinar à sociedade envolvente, pois diariamente estamos dando exemplo de participação política e exercício ativo da cidadania cultural.
A Constituição Federal de 1988 consagrou a natureza pluriétnica do Estado brasileiro. No entanto, vivemos o cenário mais grave de ataques aos nossos direitos desde a redemocratização do país. O governo Bolsonaro decidiu pela falência da política indigenista, mediante o desmonte deliberado e a instrumentalização política das instituições e das ações que o Poder Público tem o dever de garantir. Além dos ataques às nossas vidas, culturas e territórios, repudiamos os ataques orquestrados pela Frente Parlamentar Agropecuária contra a Mãe Natureza.
Diante disso, nós, cerca de 800 lideranças indígenas, exigimos das instâncias de poder do Estado o atendimento das seguintes reivindicações:
• A conclusão das demarcações de todas as terras Terena, Guarani Kaiowá e Kinikinau, conforme determina a Constituição brasileira e estabelece o Decreto 1775/96, bem como a expulsão de todos os posseiros invasores da terra indígena Kadiwéu. A demarcação dos nossos territórios é fundamental para garantir a reprodução física e cultural dos nossos povos, ao mesmo tempo que é estratégica para a conservação do meio ambiente, da biodiversidade e para a superação da crise climática. Exigimos a adoção de ações emergenciais e estruturantes, por parte dos órgãos públicos responsáveis, com o propósito de conter e eliminar a onda crescente de invasões, loteamentos, desmatamentos, arrendamentos e violências, práticas ilegais e criminosas que configuram uma nova fase de esbulho das nossas terras, que atentam contra o nosso direito de usufruto exclusivo.
• Revogação do Parecer 001/2017/GAB/CGU/AGU, da Advocacia Geral da União.
• Manutenção do Subsistema de Saúde Indígena do SUS, que é de responsabilidade federal, com o fortalecimento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), a garantia da participação e do controle social efetivo e autônomo dos nossos povos e as condições necessárias para realização da VI Conferência Nacional de Saúde Indígena. Reiteramos a nossa posição contrária a quaisquer tentativas de municipalizar ou estadualizar o atendimento à saúde dos nossos povos.
• Efetivação da política de educação escolar indígena diferenciada e com qualidade, assegurando a implementação das 25 propostas da segunda Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena e dos territórios etnoeducacionais. Recompor as condições e espaços institucionais, a exemplo da Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena, na estrutura administrativa do Ministério da Educação para assegurar a nossa incidência na formulação da política de educação escolar indígena e no atendimento das nossas demandas que envolvem, por exemplo, a melhoria da infraestrutura das escolas indígenas, a formação e contratação dos professores indígenas, a elaboração de material didático diferenciado.
• Fim da violência, da criminalização e discriminação contra os nossos povos e lideranças, praticadas inclusive por agentes públicos, assegurando a punição dos responsáveis, a reparação dos danos causados e comprometimento das instâncias de governo na proteção das nossas vidas.
• Ao Congresso Nacional, exigimos o arquivamento de todas as iniciativas legislativas anti-indígenas, tais como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00 e os Projetos de Lei (PL) 1610/96, PL 6818/13 e PL 490/17, voltadas a suprimir os nossos direitos fundamentais: o nosso direito à diferença, aos nossos usos, costumes, línguas, crenças e tradições, o direito originário e o usufruto exclusivo às terras que tradicionalmente ocupamos.
• Ao Supremo Tribunal Federal (STF), reivindicamos não permitir nem legitimar nenhuma reinterpretação retrógrada e restritiva do direito originário às nossas terras tradicionais. Esperamos que, no julgamento do Mandado de Segurança (MS) n. 34. 201, relacionado a Terra Indígena Taunay-Ipegue; no Agravo em Recurso Extraordinário (ARE) n. 1137139, relacionado a Terra Indígena Buriti e no Agravo em Recurso Extraordinário (ARE) n. 803.462, relacionado a Terra Indígena Limão Verde, o STF reafirme a interpretação da Constituição brasileira de acordo com a tese do Indigenato (Direito Originário) e que exclua, em definitivo, qualquer possibilidade de acolhida da tese do Fato Indígena (Marco Temporal).
Reafirmamos nosso compromisso de continuar lutando pela terra, pois a luta pela mãe terra é a mãe de todas as lutas.
Reafirmamos nosso compromisso de continuar integrando a Articulação dos povos indígenas do Brasil (Apib), constituindo assim, organização tradicional indígena base da Apib.
Deliberações do Conselho Terena:
• Fica decidido que a próxima Assembleia Terena será realizada na Retomada Nova Esperança, Terra Indígena Pilad Rebuá, município de Miranda, no ano de 2020;
• Fica encaminhada a participação da Comissão de Mulheres Terena na Marcha das Margaridas, em agosto de 2019;
• Fica encaminhado a realização do Encontro da Juventude Terena, na Aldeia Limão Verde, no segundo semestre de 2019;
• Fica encaminhado a constituição de Comissão Terena para discutir a participação indígena na política;
• Fica autorizado o ingresso do Conselho Terena como Amicus Curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 6062 (ADI 6062), em trâmite no Supremo Tribunal Federal;
• Fica autorizada, a expedição de ofícios à Funai, ao MPF e a DPU solicitando a adoção de medidas no que tange a demarcação das terras Pilad Rebuá, Nioaque e Lalima;
• Fica encaminhado, a realização de oficinas de formação jurídica e política, a ser executado pelo Núcleo de Defesa e Assessoria Jurídica Popular;
• Fica encaminhado, a expedição de ofícios ao MPF e DPU solicitando a adoção de providência referente ao transporte de acadêmicos indígenas do município de Miranda e a manutenção de bolsas permanência dos acadêmicos indígenas da Terra Indígena Taunay-Ipegue;
• Fica encaminhado, a expedição de ofícios ao MPF solicitando a adoção de providências referente ao assento destinado ao Conselho Terena no Condisi-MS;
10. Fica encaminhado a realização do Fórum Estadual de Educação Escolar Indígena, que será realizada no mês de agosto, na Cachoerinha T.I Cachoerinha, Miranda;
11. Fica encaminhado, a designação de um (a) Terena para exercer o cargo de coordenador (a) na educação escolar indígena no Município de Aquidauana pasta da Semed.
Povo Terena,
Povo que se levanta!!
Aldeia Ipegue, 11 de maio de 2019.
Conselho do Povo Terena

domingo, 5 de maio de 2019

Confira a Programação da XIII Assembléia Terena 2019

Será realizada na Aldeia Ipegue entre os dias 8 a 11 de maio.


XIII GRANDE ASSEMBLÉIA TERENA SERÁ NA ALDEIA IPEGUE


A Grande Assembléia Terena acontecerá na Aldeia Ipegue, Municipio de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, nos dias 8 a 11 de maio de 2019. 
A Aldeia Ipegue está localizada a 72 km do Município de Aquidauana. Faz parte da Terra Indígena Taunay/Ipegue, em um complexo de 7 aldeias e várias retomadas, e estará sediando este grande evento estadual do Povo Terena. A Assembléia Terena reunirá Caciques, Lideranças Indígenas, Professores, Especialistas em Saberes Tradicionais, Mulheres, Crianças, Ançiãos, entre outros segmentos indígenas que estarão participando.

O evento contará com a presença da Deputada Federal Joenia Wapichana (REDE-RR), primeira mulher indígena eleita Deputada Federal e única representante dos povos indígenas no Congresso Nacional. Estarão presentes o Deputado Estadual Pedro Kemp (PT-MS), a Deputada Federal Áurea Carolina (PSOL - MG), a Deputada Federal Talíria Petrone (PSOL - RJ), o Deputado Federal Edmilson Brito Rodrigues (PSOL - PA), Sonia Guajajara (ex-candidata a vice - presidente), o nosso Advogado Dr. Luiz Henrique Eloy Amado, entre outras lideranças que virão para fortalecer o evento.

Os objetivos do evento são: fortalecer a luta pelo território, buscar uma Educação Escolar Indígena autônoma, uma saúde indígena de qualidade, o protagonismo indígena no cenário político municipal e estadual, além de outros assuntos que afetam as comunidades indígenas.
Os organizadores do evento e o Cacique Ademir Soares e sua Liderança Tribal da Aldeia Ipegue, convida a todos para participar desse momento de discussão, debates e encaminhamentos que nortearão as lutas e buscas por nossos direitos.
O blog Terenizar é a moda, estará fazendo a cobertura do evento e informando sobre os debates e temas discutidos.
Venha participar e somar nas nossas lutas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

TERMINA COM MUITA FESTA E JOGOS EMOCIONANTES O TORNEIO DE FÉRIAS DO MANGAL

No último sábado, 01 de fevereiro, foi encerrado  o Torneio de Férias no campinho do Mangal na Aldeia Ipegue.
O torneio promovido para descontração, prática de esportes e encontro de amigos foi organizado por CINEY e RADIO KOPENOTI FM 102,1.
No torneio feminino terminou da seguinte forma:
1º lugar: Carandá
2º lugar: Ipegue
3º lugar: Central
4º lugar: Colonia Nova
No torneio masculino ficou da seguinte forma:
1º lugar: Novo Horizonte
2º lugar: Colonia Nova
3º lugar: Vila Real
4º lugar: Garotos de Ouro
Os jogos foram transmitidos ao vivo pelas ondas da Rádio Kopenóti FM com o radialista João Marcos Francisco e Nilson, com comentários de Baio.
As premiações foram em dinheiro e refrigerantes.
Parabéns a todos os participantes.
Segue algumas fotos







sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

TORNEIO NO CAMPINHO DO MANGAL ENCERRA NO SÁBADO

 No último final de semana aconteceu na Aldeia Ipegue o “TORNEIO DE FÉRIAS” que foi realizado no Campinho do Mangal, nos dias 24 a 27 de janeiro. O torneio de futsal será nas modalidades masculino e feminino e a premiação será em dinheiro.
O campinho do Mangal há muito tempo não recebe nenhum tipo de evento, visto que o saudoso Erasmo Francisco, ex-cacique da nossa Aldeia faleceu no ano passado e em respeito a isso não foi realizado nenhum evento.
Em conversa com o seu filho “Baio”, seu irmão e outros parentes, a Rádio Kopenóti FM, Ciney e Liderança Tribal resolveram realizar esse torneio para levar diversão, alegria e descontração para os jovens da Aldeia e região.
O torneio teve a participação em massa dos jovens da Aldeia Ipegue, Colonia Nova e toda a região. As semifinais na modalidade masculino e feminino serão realizadas no sábado, dia 02 de fevereiro e todos estão convidados a assistir e prestigiar esse evento.
O intuito do torneio é levar descontração, encontro com os amigos, a prática de esporte e o lazer para nossos jovens. 
Esse evento é uma realização do Ciney e Rádio Kopenóti FM 102,1 na direção do amigo João Marcos Francisco.
O torneio tem apoio da Liderança Tribal, Mercearia Terena, Nilson, Maurilio, Baio e amigos do Mangal. O som fica por conta do João Marcos sonorização.

A Aldeia Ipegue e o campinho do mangal conta com a sua presença e a sua participação.